Arquitetura e Urbanismo
Jardins como estratégia de conforto térmico na arquitetura residencial
Como pátios internos, áreas verdes e biofilia atuam no desempenho ambiental dos edifícios Por Baggio Schiavon | Dia 03/02/2026
Em períodos de temperaturas elevadas, o desenho arquitetônico precisa responder a desafios que ultrapassam a eficiência construtiva tradicional. A incorporação consciente de jardins, pátios internos, varandas verdes e áreas permeáveis passa a desempenhar um papel estratégico na regulação térmica, na qualidade ambiental e na experiência cotidiana dos moradores. A biofilia, quando aplicada de forma técnica, deixa de ser um conceito abstrato e se consolida como ferramenta de projeto. A presença da vegetação contribui para a redução das ilhas de calor, melhora a umidade relativa do ar e atua como filtro natural da radiação solar. Em escala residencial, esses elementos impactam diretamente o conforto térmico dos ambientes internos, reduzindo a dependência de sistemas artificiais de climatização. Em paralelo, estudos indicam benefícios consistentes à saúde mental, como a redução do estresse, a melhora da concentração e o estímulo ao convívio, aspectos especialmente relevantes em um cenário urbano cada vez mais adensado.

No Hanami, empreendimento residencial com projeto arquitetônico de autoria da Baggio Schiavon Arquitetura (BSA), desenvolvido para a Construtora Adriática, a leitura do entorno foi determinante para as decisões de implantação e desenho. Inserido em um bairro com predomínio de casas e recentemente impactado por alterações de zoneamento, o projeto buscou incorporar ao edifício atributos associados à vivência junto à natureza. Jardins, varandas verdes e a integração com a paisagem foram incorporados à volumetria e aos espaços internos, reforçando a relação entre interior e exterior e qualificando o cotidiano dos moradores.
Para Manuel Baggio, arquiteto e sócio da BSA, essa aproximação com a natureza responde a uma demanda contemporânea por qualidade de vida. “O contato com a natureza se tornou essencial porque nos reconecta com aquilo que o cotidiano urbano tende a nos retirar. Ao projetar o Hanami, o objetivo foi criar ambientes que favorecessem o bem-estar real das famílias, com espaços que estimulam pausa, permanência e convivência”.

Já para o projeto realizado pela BSA para o residencial Alberi Piemonte, da Piemonte Engenharia, a estratégia de conforto ambiental parte de uma base técnica consistente. Estudos térmicos, acústicos e lumínicos orientaram a escolha de vedações, esquadrias e sistemas de isolamento, promovendo maior estabilidade térmica ao longo do ano, especialmente nos meses mais quentes. As fachadas foram desenhadas para aliar estética e desempenho, atuando no controle da insolação, enquanto o paisagismo contribui para a mitigação do calor e para a qualificação dos espaços de transição.
No Arte Batel, residencial com projeto arquitetônico liderado por Flavio Schiavon para a Víncere Incorporadora, o conceito parte da expressão da brasilidade como base para a relação entre natureza e arquitetura. Cores, materiais e texturas traduzem esse diálogo por meio do uso do concreto aparente, da madeira e do metal, enquanto o desenho dos espaços prioriza a integração entre ambientes internos e externos. O living dos apartamentos foi ampliado com o uso de balcões no lugar das sacadas tradicionais, permitindo uma conexão direta com o paisagismo e a percepção de conforto. A combinação entre espaços amplos e pés-direitos generosos reforça a experiência residencial associada à vida ao ar livre.

Segundo Schiavon, arquiteto e sócio do escritório, a biofilia deve ser compreendida como parte da estratégia de desempenho do edifício. “Jardins, pátios internos e áreas verdes não são acessórios. Eles influenciam diretamente o microclima, o conforto térmico e a forma como os moradores percebem e utilizam os espaços. Quando integrados desde a concepção do projeto, esses elementos ampliam o desempenho ambiental e o valor do empreendimento”.
Ao tratar o paisagismo como infraestrutura ambiental e não apenas como recurso estético, a reflexão que se impõe não é se a natureza deve estar integrada, mas como ela pode ser incorporada de forma técnica, consistente e duradoura, agregando valor ao ambiente construído.
Saiba mais sobre a Baggio Schiavon Arquitetura em www.bsa.com.br
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